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Livro dos Médiuns – Da Obsessão

Amo dar esta resposta: Ohhhh!!! Você se comunica com os mortos? Eu não, eles que se comunicam comigo. Eu só respondo por que sou educada.

Não foram os médiuns nem os espíritas que criaram os espíritos; ao contrário, foram os espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. As comunicações e as influências dos espíritos ocorrem a todo momento e não apenas por meio das formas escritas ou verbais. É importante ressaltar que todos nós somos médiuns. A mediunidade acontece nas casas espíritas, nas ruas, nos hospícios, nas igrejas e no nosso dia a dia. Algo tão natural ao ser humano que merece bastante estudo e entendimento.

Kardec questiona:

Que se deve pensar dos que, vendo um perigo qualquer no espiritismo, julgam que o meio de preveni-lo seria proibir as comunicações espíritas?Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os espíritos, não podem impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas, porquanto não podem suprimir os espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e ficam crentes de que ninguém as vê. Fora loucura querer suprimir uma coisa que oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se lhe prevenirem os inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a fundo.”

Então, vamos estudar. Certo?

Resumo do Livro dos Médiuns. Capítulo XXIII

Da Obsessão

Obsessão: Domínio que alguns espíritos passam a adquirir sobre certas pessoas. Ela é um dos maiores perigos da mediunidade e um dos mais frequentes. Ocorre por vontade do espírito, ora relacionadas à vontade de vingança, ora por inveja, além da simples vontade de atormentar alguém.

  1. Obsessão simples: ocorre quando um espírito se impõe a um médium, interferindo em suas comunicações e se apresentando no lugar daqueles que são evocados. O médium atento consegue perceber tal influência.

  2. Fascinação: ocorre quando uma ilusão produzida pela ação direta do espírito sobre o pensamento do médium. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando. O espírito, neste caso, é ardiloso e procura afastar o médium daqueles que querem ajudar.

  3. Subjulgação: ocorre quando o médium se vê paralisado em sua vontade e passa a agir ao mau grado do espírito. Basta uma palavra para que o paciente fique sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal.

  4. Possessão: (termo comum na Bíblia) Este termo pressupõe a crença em um ser maligno e a coabitação de um mesmo corpo. Esta crença não cabe no estendimento atual e por isso, no livro dos médiuns, este termo foi substituído por subjulgação.

Outras observações:

  1. O termo mau espírito é preferível ao espírito mau. Ninguém é em essência mau, visto que fomos criados à semelhança de Deus. Em algum momento, podemos estar com um comportamento mau e ter más intenções, que podem ser modificadas à qualquer momento.

  2. Há espíritos obsessores sem maldade. Estes apenas querem fazer valer a sua opnião e se baseam em médiuns crédulos demais que não questionam a qualidade da comunicação. Estes se manifestam como Jesus, Virgem Maria, etc. dando ao nome uma veracidade dos seus conselhos. O que querem é impor suas ideias, por mais disparatadas que pareçam.

  3. Há espíritos escrevinhadores, que são prolixos e se aproveitam de médiuns que se fazem fascinados com o fenômeno. Os espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios de palavras; dizem muita coisa em poucas frases.

  4. Pode ocorrer o fato de um médium se comunicar com um único espírito e isso não necessariamente é uma obsessão. Pode, portanto, indicar uma falta de maleabilidade do médium.

Formas de combater a obsessão:

  1. Na obsessão simples, o médium percebe a influência e pode provar ao espírito que ele não está iludido e que lhe é impossível enganar. Outra coisa é dirigir apelo fervoroso ao seu anjo bom, pedindo-lhes que o assistam. Aos médiuns escreventes, é conveniente que interrompa o trabalho escrito, para que não se dê ouvidos ao que não é construtivo. {Comentário meu: geralmente aparecem frases estranhas na mente, repetindo algo como “compre batom, compre batom”, se o médium estiver atento, pode identificar facilmente e dizer “estou de dieta e não adianta falar isso mais”. Geralmente resolve}.

  2. No caso da fascinação, não há limites para o domínio que o espírito assume sobre o encarnado de quem se apoderou. Pode-se mostrar para a vítima como ela está sendo ludibriada, no entanto esta tarefa é muito difícil. O fascinado, geralmente, acolhe mal os conselhos; a crítica o aborrece, o irrita e o faz tomar quizila dos que não partilham da sua admiração. Conclui: Ninguém pode curar um doente que se obstina em conservar o seu mal e nele se compraz. {Sugiro: Preces para fortalecer a vítima e aproximá-lo de seus verdadeiros mentores/anjos da guarda.}

  3. No caso da subjugação corporal o obsidiado fica sem energia para dominar o mau espírito. Neste caso é importante a ação de um magnetizador mais elevado moralmente que o espírito. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para expulsar aqueles a que, naquela época, se chamava demônio, isto é, os maus espíritos obsessores.

  4. As imperfeições morais do obsidiado constituem, frequentemente, um obstáculo à sua libertação. Pela prece e magnetização se pode afastar o obsessor, mas ele voltará se as más condutas continuarem: falar mal dos outros, desejar o mal, se entregar aos vícios, a preguiça, a vaidade. Somente a caridade, o trabalho no amor, pode efetivamente proteger o Médium.

Um caso:

[Conselho do espírito amigo] “Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para se confessarem a si mesmas e verificarem se sempre praticaram o amor ao próximo e a caridade. Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua, pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo descobrirão quem ele é. “Entretanto, se conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeito de atos repreensíveis ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição.”
  1. Não se deve atribuir à ação direta dos espíritos todas as contrariedades que se possam experimentar, as quais, não raro, decorrem da incúria ou da imprevidência dos encarnados.

Perguntas e respostas:

  1. Por que não podem certos médiuns desembaraçar-se de espíritos maus que se lhes ligam e como é que os bons espíritos que eles chamam não se mostram bastante poderosos para afastar os outros e se comunicar diretamente? Não é que falte poder ao espírito bom; algumas vezes o Médium se identifica mais com o mau Espírito e, por isso, lhe dá grande poder.

  2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas de muito mérito, de irrepreensível moralidade e que, apesar de tudo, se veem impedidas de se comunicar com os bons espíritos. É uma provação. E quem te diz, ademais, que elas não trazem o coração manchado de um pouco de mal? Que o orgulho não domina um pouco a aparência de bondade? Essas provas, com o mostrarem ao obsidiado a sua fraqueza, devem fazê-lo inclinar-se para a humildade. O mais poderoso meio de combater a influência dos maus Espíritos é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.

  3. A obsessão, que impede um médium de receber as comunicações que deseje, é sempre um sinal de indignidade da sua parte? Eu não disse que é um sinal de indignidade, mas que um obstáculo pode opor-se a certas comunicações.

  4. Assim, a impossibilidade de se comunicar com os bons espíritos seria uma espécie de punição? Em certos casos, pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de se comunicar com eles é uma recompensa que deveis esforçar-vos por merecer. (Veja-se “Perda e suspensão da mediunidade”, item 220.)

  5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos, moralizando-os? Sim, mas é o que não se faz e é o que não se deve descurar de fazer, porquanto, muitas vezes, isso constitui uma tarefa que vos é dada e que deveis desempenhar caridosa e religiosamente. Por meio de sábios conselhos, é possível induzi-los ao arrependimento e apressar-lhes o progresso.

  6. Como pode um homem ter, a esse respeito, mais influência do que a têm os próprios espíritos? Os espíritos perversos se aproximam antes dos homens que eles procuram atormentar, do que dos espíritos, dos quais se afastam o mais possível. Nessa aproximação dos humanos, quando encontram algum que os moralize, a princípio não o escutam e até se riem dele; depois, se aquele os sabe prender, acabam por se deixarem tocar. Os espíritos elevados só em nome de Deus lhes podem falar e isto os apavora.

  7. A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como consequência a loucura? Pode. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; eles precisariam de um tratamento moral, enquanto com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas. (Item 221.)

Certa vez, contam que uma senhora foi levar ao Chico Xavier, grande médium, uma adolescente que queria desenvolver a mediunidade. Chico perguntou à senhora: “Quem lava-lhes os talheres e o prato após a refeição?”. A senhora disse que a filha não poderia lavar por causa das mãos delicadas. Chico responde “então ela não tem condições para desenvolver a mediunidade”. Não há outro caminho seguro, a não ser o aprimoramento moral.

Luz Estelar!

Veja também:

Livro dos Médiuns

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